domingo, 29 de junho de 2008

Taca a Itapecerica da Serra pra ver se quica!




Estou farto do moralismo hipócrita.
Estou ENFARTADO de gente que tenta, com copiosas lágrimas-de-crocodilo, imbuir-me de uma moral que não existe!

Perdão, eu conheço bem o suficiente a moral para discernir a ladainha que atiram na minha cara e saber, instantaneamente, o que é a verdadeira e boa moral e toda a merda que dizem moralizante!
Ora, poupem-me os ouvidos e o cérebro! Ignóbeis! Ígneos! Incólumes!
E aos que choram as lágrimas-de-crocodilo, só aviso uma vez: hão de virar bolsa de couro de jacaré, malditos sejam!
Ó, Camões, por que não me poupa os olhos e os ouvidos de todas estas caluniosas moralidades?
“Tudo vale a pena quando a alma não é pequena.”
Wow. Beijo do gordo. Smack.


O Ministério da Saúde Adverte: O ser humano é a única criatura vivente que chafurda na própria bosta.
( E ainda mais!: Não obstante ao cheiro de seu próprio canal retal [perfeitamente reconhecível, creio] afirmam ser – mas que absurdo – qualquer coisa que, de fato, não seja bosta!)

E os cientistas ainda têm a pachorra de nos considerar “seres inteligentes”. Mas... bem... eles também são humanos, e portanto, como eu próprio, são pura merda.

Ó MAR! POR QUE NÃO APAGA, COM AS ONDAS DE TUAS VAGAS, ESSA MANCHA?!
(Porque o próprio mar está imundo com os excrementos humanos, é claro.)

Salve-se de si próprio aquele que o puder. Aleluia, irmãos.


Não que eu estejA (É COM “A” SUA ANTA! – adendo.) mal-humorado.
Um pouco de revolta não faz mal a ninguém. Pouca revolta que o faz. E como.

Alguém quer passar o final de semana em Itapecerica da Serra ou Liechstenstein?

quarta-feira, 12 de março de 2008

Rugido de Invocação


Eu invoco Nietsche! Declamo frases em aposto à Chaplin e Aristóteles! Rogo que tu, Schopenhauer, venha das profundezas infernais e surja diante de mim, tal qual outros quinhentos mais que, com o berro incontido, clamo!
Sim! Pois, que pergunta não seriam estes capazes de responder?! E, que pergunta, posso eu responder quando meu mundo interior é abalado por uma revolta sem fim!? Pois, se abalo a mim, que o mundo se abale por mim! Nada mais justo.
Digo-vos, ó almas penadas mal-escarnadas, o que não tenho vontade, por mera impaciência, de refletir! E hão de rir de mim quando perguntar a vós, por achar que, talvez, eu esteja brincando. Mas não estou, e isso eu prometo!

O ser humano tem uma mania horrorosa de tentar subjugar os demais! Impor limites imaginários ao outro e crê-los como reais, simplesmente para não admitir que desconhecem os limites daquele individuo! Como é vão o humano e suas sandices!
Da mesma forma que floreia a morte com vitupérios, pinta a si mesmo no quadro que pertence ao rosto de outro!
Acham que, só por que eles tem limitações – sejam físicas, psicológicas, mentais, culturais – os outros devem, por virtude de um pensamento pseudo-socialista-psicologizante ter as mesmas limitações que eles!

Maldita seja a terceira pessoa do plural, que com a língua e os dedos em alto tom ou em CAPS LOCK pestanejam saber mais de nós que nós próprios sabemos!
Ora, pois vão, todos para o diabo que lhes carregue.

E aproveito para deixar um beijo pra você, Xuxa, sua vaca. Te pego na saída.

Poema:

Me irrita.
Te mordo.



PS: Irritado, eu?!?!?!! Mau dia, baby, nada mais.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Meu amigo. Minha torta.



Hoje resolvi postar um texto que fiz como tarefa de redação. O objetivo era escrever sobre o 'morador de rua'. Fiz dois textos. Um dissertativo, extremamente chato, que não seria capaz de mostrar para ninguém, e outro, narrativo, que, na minha opinião, ficou nauseabundo. As imagens são referentes à Primeira Guerra Mundial, para ilustrar o texto, que se passa nessa época, na cidade de Londres, num bairro de classe média.









MEU AMIGO. MINHA TORTA.



Meu nome é Ivan e eu sou jornalista do jornal ‘O Londrino’ há dez anos. Todd é o ‘mascote’ de minha rua há onze.
Enquanto eu terminava a universidade, ele já morava na praça do quarteirão seguinte e já havia assumido a rotina de todos os dias cabriolar em torno de seu amarrotado chapéu para conseguir alguns centavos para poder ingerir seu álcool diário. Eu nunca soube se eram as cabriolas que o faziam beber, ou se era a bebida que o fazia cabriolar. Mas, mesmo assim, todos os dias – isso quando eu tinha algum dinheiro – parava uns cinco minutos para vê-lo em suas palhaçadas, cedia-lhe alguns centavos e me sentava na loja de tortas em frente à praça para tomar meu café da manhã.

Mas, o que eu não te disse, leitor, é que este é período da Primeira Guerra Mundial. A cidade de Londres está se esvaziando feito as tripas de uma criança indiana com vermes. Entretanto, por que eu iria correr para o interior do país em busca da segurança? É aqui, nesta maldita cidade alvejada pela Guerra que estão as grandes noticias! É para cá que todo o mundo volta seus olhos sedentos por sangue! É este o lugar de um jornalista! E também é o lugar de onde Todd não arreda pé.
Todd é como um fantasma na paisagem enevoada de Londres. Seus cabelos brancos e desgrenhados, seus dentes corroídos e amarronzados e suas roupas feitas em trapos compõe esta figura extraordinária. Nunca se vê Todd triste. Todd espantado. Todd com medo! Jamais! A qualquer hora que você mirar Todd com atenção, o verá sorrindo com sua desgraçada boca – a qual aparenta estar mais morta que viva.
Um dia, há muito tempo atrás, antes da guerra, quando eu estava no auge de uma melancolia amorosa – pois, digo-lhe, a paixão vem sempre antes da desgraça, mas uma nunca deixa a outra de lado – sentei-me no banco da praça de Todd. E ele logo veio, correndo aos saltos para me encontrar. Seu olho esquerdo sangrava.

- O que houve com seu olho? – perguntei, mas não me importando muito, afinal estava com uma imensa dor no meu peito que não dava espaço para a compaixão.

- Ah, uma besteirinha. Dois garotos vieram até aqui a noite e devem ter me achado com cara de Alemão! Pois, depois uma boa surra, enfiaram-me a bengala no olho!

É, este era o Todd. Podiam enfiar-lhe uma bengala no olho e cega-lo que ele continuava a sorrir, com seus dentes podres. Olhei-o, e devo ter denunciado, pela minha expressão, que não me conformava com aquilo, por que, com o único olho fixo em mim, gargalhou, com a boca escancarada. Seu hálito veio até mim e tocou, imediatamente meu estomago, enfurecendo minhas tripas. O ar que saía da sua boca cheirava ao chorume da cova de um maldito turco! Recompus-me, criei coragem e agarrei a manga de suas vestes.

- Você deve ir ao hospital. Vai acabar por morrer com o olho desse jeito!

Ele parou de rir, e no seu único olho eu vi um brilho de sagacidade que me espantou. Toda a lucidez do universo estava para sair daquela boca extremamente podre.

- Ao hospital? Para que? Ora, não seja ingênuo, garoto! Tens muito que aprender! Se há um lugar podre, com vermes infestando as ruas, este lugar é Londres! Se eu for ao hospital, o doutor se verá na obrigação de acabar com este verme que vos fala, e aí sim eu terei morrido graças a este maldito olho! Queres me ajudar? Pois, ao invés da consulta, compre uma garrafa de rum para que eu possa molhar este olho desgraçado e esta garganta seca!

Fiquei tremendamente horrorizado com seu discurso. Para mim, Todd não seria capaz de formar umas poucas frases lógicas, sem que começasse a cabriolar loucamente, entretanto, todo aquele falatório parecia pertencer a alguém completamente são!
Pois bem, fiz-lhe a vontade! Fui até minha casa, retirei duas garrafas de rum do armário – um jornalista que se preze sempre guarda uma quantidade imensa de álcool para manter-lhe a sanidade e a inspiração – e voltei para a praça.
Bebemos a noite inteira, sem falar palavra alguma. E, quando estava para amanhecer na enevoada Londres, mirei o pobre coitado e perguntei, com a voz que só os que beberam rum em demasia possuem:

- Se acha que Londres é um buraco cheio de vermes, por que não saiu até hoje daqui?

Ele me olhou bem, sorrindo feito um insano e respondeu-me como um pai responde a um filho que lhe havia feito uma pergunta cuja resposta era extremamente óbvia.

- Ora, garoto, e para onde mais eu iria?! Vermes devem permanecer com vermes! Fico por querer saber até quando um verme insignificante como eu pode sobreviver nessa cidade de grandes vermes! Sabe, os pequenos vermes alimentam os grandes vermes, garoto... Mas até agora eu estou aqui, não estou?! Não poderia morrer sem saber quanto tempo eu duraria!

Fiquei sem acreditar no que havia ouvido. Despedi-me de Todd e fui em direção à minha casa. Quando estava para perdê-lo de vista, voltei-me para trás e o vi deitado, sob seus trapos sujos, no bando em que estávamos sentados, pronto para mais uma noite naquela fria cidade. Era uma figura fascinante! Fiquei pensando no que ele havia dito a noite inteira e, no dia seguinte, com a graça de Deus, estava com uma terrível ressaca!
Entretanto o tempo passou. No mês seguinte à minha conversa com Todd fui promovido no ‘O Londrino’, coisa que aconteceu mais duas vezes desde que a guerra estourou. Eu estava crescendo às custas da guerra! Não havia melhor colunista sensacionalista que eu! E, justamente por isso, só me sentia realmente bem comigo mesmo naqueles cinco minutos em que via Todd cabriolar em volta de seu chapéu. O olho, depois de uma fétida infecção, cicatrizou-se e manteve-se cego pelo resto de sua vida.
E, enfim, chegamos ao presente. Todd desapareceu há quatro dias. Nunca havia saído daquela praça, a não ser, é claro, para trocar suas merrecas por rum. Entretanto havia desaparecido. O que não era estranho. Já faz um tempo que os moradores de rua da região andam desaparecendo.
Entristeci-me profundamente com o sumiço de Todd – mais até do que eu mesmo esperava. E agora parece que esta rua já não tem mais atrativo nenhum. Nem mesmo a maravilhosa loja de tortas em frente a praça me parece grande coisa sem o espetáculo matinal de Todd.
Mas o que estava por vir, leitor, espantará você, da mesma forma que espantou a mim. E seu espanto, isso é certo, fará com que esta coluna seja ainda mais vendida por estas ruas podres, o que me tornará um verme ainda maior.
Fui à loja de tortas ontem, depois de dar mais uma olhada melancólica no banco da praça onde eu e Todd outrora bebemos juntos para afastar a dor de seu olho e a minha dor existencial.
Sentei-me no balcão, e a imensamente gorda Sra. Rice, veio até mim com seu sorriso polido e extremamente amável e branco. Ela tinha cabelos loiros que lhe caiam aos ombros e os olhos azuis. Usava um avental manchado de marrom, graças à massa das tortas, que ela abria com uma força animalesca e com uma destreza espantosa.
Eu gostava da Sra. Rice. Durante todos estes anos que eu tomei café da manhã ali, ela sempre me tratou como um filho, tendo a irritante mania de apertar minhas bochechas, até que elas criassem uma barba realmente espessa.
Ela se aproximou, com seu passo gingado de costume e beijou-me no rosto.

- Você está pálido e magro demais! Anda trabalhando e bebendo muito não? Pois bem, hoje tem torta de carne! Uma raridade nesses tempos difíceis, não acha? O negócio está indo de vento em popa apesar dessa maldita guerra. Vai querer chá e uma torta de carne certo? Pode sentar-se ali, querido, vou lá dentro buscar.

Sentei-me na mesa que ficava em frente à vitrine, de onde podia vislumbrar a praça. Não tardou muito até que a adorável Sra. Rice entregasse um prato com uma grande e suculenta torta de carne e uma xícara do seu delicioso chá fumegante.
Um gole do chá. Um bocado de torta. O gosto era estranho, mas não ruim. Exótico, eu diria. Com uma estranha textura aveludada. Meio amarga, mas talvez fosse o tempero.
Mordi algo duro. Recolhi o objeto com o garfo e, espantado, vi que se tratava de um dente. Amarronzado e gasto. Grande e quadrado. Dente humano. Reconheci-o imediatamente, afinal, não o via todos os dias pela manhã? Não era daquele sorriso que sentia tanta falta?
Ali estava a explicação para o sumiço do bom e velho Todd. Pobre amigo.
Entretanto, pensei, ele morrera com um objetivo cumprido. Havia sobrevivido tanto tempo naquela cidade de grandes vermes imensos quanto pode! E, como se isso não bastasse, provou sua teoria de que os vermes menores alimentam os maiores.
E ali estava eu, um grande verme, que se fez a partir da guerra, sendo servido com a carne do insignificante verme e grande amigo Todd.
Sorri, ao pensar no título desta coluna, ali, segurando no garfo outro pedaço da suculenta e abominável torta. Todd, afinal, além de alimentar-me, me faria crescer ainda mais como o verme que nasci para ser. Tornar-me-ia ainda mais famoso. Por que agora, denunciaria a famosa casa de tortas da Sra. Rice por matar o velho Todd e com ele fazer uma torta! E ali estava a prova, o pequeno e alegre dente do meu amigo.
Meu amigo. Minha torta.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Rugido e Miado

Rugiu e lá vou eu.

Eu poderia começar escrevendo “Era no tempo do rei...” mas isso seria plágio de um romance extremamente chato, o que tornaria minha escrita uma critica ao pobre desgraçado autor do livro, ou então culminaria num texto tão desagradável quando o que ele escreveu. Portanto, não começarei falando este verdadeiro escarro, como diria Augusto dos Anjos, da humanidade.

Ao invés disso, vou iniciar como o próprio Augusto dos Anjos iniciou uma das estrofes de “Versos Íntimos”.

“Toma um fósforo. Acende teu cigarro!” O que é estiloso, mas, cá entre nós, como não fumo, não faz sentido algum. Portanto, a partir daqui, ligamos o botão do “foda-se” e vivemos felizes para sempre. Apesar de este não ser o fim, baby.

Despertou na sexta-feira meu senso crítico quando li, na folha uol (afinal, quem vai prestar vestibular deve ser um zumbi tão viciado em atualidade quanto uma freira é viciada em infernizar a vida alheia; salvo raras exceções, é claro, por parte dos vestibulandos, e não das freiras) uma frase de um politicozinho norte-americanozinho chamado McCain. E sim, usei realmente o diminutivo duas vezes para rebaixá-lo duas vezes! E maldito seja mais duas vezes!


Ele dizia – com o perdão de não possuir a frase 100% correta, uma vez que não a decorei – que esperava que Fidel Castro logo fosse encontrar-se com Karl Marx!
Ok, isso para você pode não significar nada, e você pode estar dizendo “bah, o que este guri maldito ta falando?”. Entretanto, apesar da SUA visão não compreender a minha visão, se você disse isso mesmo, pense no que é o capitalismo.

Não, não vou começar com um discursozinho socialistazinho politicamente correto. Até por que amo o capitalismo. (O que não me impede de odiar os capitalistas! Principalmente os do norte da américa com aspecto gorduroso.)
Mas, se você pensou no termo ‘capitalismo’, deve ter pensado em “livre concorrência”. Entretanto, como pode este bendito McCain se dizer um capitalista, quando quer se livrar da livre concorrência, ‘matando’ o último concorrente - realmente capaz – da ideologia capitalista? Simples. Não quer. E é por isso que eu o presenteio com o prêmio “Rola-Bosta de Antena Verde” de 2008, já no mês de Fevereiro. Um recorde! Aplaudam a superioridade Estados-Unidense!

Mudando de insetos gordos superdesenvolvidos para problemas bem menores em estatura e, ouso dizer, cérebro, vou fazer um pequeno comentário à parte de todos os assuntos aqui abordados: o pequeno (e digo pequeno, pois isso ele é) obstáculo que se impõe à um dos meus objetivos.

Eu poderia seguir as palavras de Winston Churchill: “Quando se vai matar um homem (no caso, se livrar de um,afinal não sou tããão trágico assim) não custa nada ser gentil.”
Ou, quem sabe, as palavras de Napoleão Bonaparte: “Acharei um caminho... ou abrirei um para mim.”.

Entretanto, como não sou nem tão velho quando Churchill e nem tão baixinho quanto Napoleão (não me perguntem o que isso tem a ver, estou num momento surrealista de combate a razão), digo eu: Abrirei uma cova no chão e colocar-te-ei dentro dela, para poder pisar na sua cabeça quando passar. RECADO DADO.


Ah sim, abrindo um parêntese aqui, ontem fui assistir o filme Sweeney Todd e o achei realmente muito bom. Recomendo-o àqueles que tenham um bom senso de humor sádico e crítico, ou àqueles que são fãs do fodíssimo Johnny Deep, que, aliás, trabalhou monstruosamente bem! Eu nem sabia que ele cantava, quanto mais daquele jeito. Entretanto, não recomendo às pessoas cardíacas ou que não gostem de sangue - a não ser, é claro, que sejam pessoas cardíacas das quais eu não goste! Essas podem ir à vontade!

E, como comecei com as palavras de um poeta pré-modernista, termino com as palavras de um modernista! Dá-lhe Manuel Bandeira.

“...
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo dos clowns de Shakespeare

- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.”

E agora o rugido virou miado.
PS: Referente às fotos, a primeira sou eu e a Thais, e a segunda a patota toda. Entendeu,não entendeu, problema teu.

sábado, 25 de agosto de 2007

O político, o padre e o bêbado.




O vício de escrever manteve-se inerte durante um tempo. Não que eu não esteja “rugindo” durante todo esse período, que mais parece uma eternidade, mas que tenho me inspirado para outras coisas... Coisas maiores, aliás, gigantescas, faraônicas, se me permitem a expressão. O que é, eu não vou contar – ainda – pra não acabar com a surpresa (se é que essa irá haver), mas é algo que está me fazendo bem.

O rugido voltou hoje, enquanto eu caminhava pela amando, aquele formigueiro abarrotado de pessoas, cuja maioria não está sempre tão limpa ou tão cheirosa como se possa desejar – e isso para ser eufêmico!

Pois bem, lá vamos nós. Estava eu numa loja comprando uma tela de pintura (para a minha mãe) e, de repente, saído das mais profundas trevas eleitorais, me surge o carro branco de um político. E lá estava o dono do carro, encarapitado no volante, cheio de pompa a passear pela rua abarrotada de gente, como se estivesse numa passeata ou algo do tipo.
O pior nem mesmo foi isso. O cúmulo do cômico foi quando ele olhou para dentro da loja e viu a mim! (E sei que só pode ter sido a mim, pois me certifiquei de que só eu olhava para o dito-cujo.) E, com toda a cara-de-pau de alguém que nunca me viu na frente, acenou para mim, como um papa acena a seu mais fervoroso fiel! E eu garanto, com todas as minhas forças, que minha expressão não tinha nada a ver com admiração.
O motivo dele ter suspeitado que eu o permitira tal coisa, a mim é completamente desconhecido. Fiquei tão horrorizado quanto poderia ficar com esse ato. De fato, tão estupefato a ponto de não conseguir desdenhar nem sequer uma careta ao vil!

Outra coisa: saindo da loja, caminhando pela rua (e, meu deus, quanta gente diferente junta), topei com um padre! E sei que era padre por que o santo estava de batina e tudo! Batina preta, de botão, até o pé, como se ignorasse completamente o calor e seu próprio rosto, mais banhado em suor que o de um trabalhador braçal!
Atrás dele vinha uma pequena, mas não ignorável, corja de carolas. Três, ao todo, olhando-o como um ser inumano! Um verdadeiro herói! Um argonauta nesses dias de satanismo! Mas a visão se tornaria ainda mais bizarra, pois, no meio do caminho, o padre cruzou com um bêbado!
E lá estava o pinguço, com uma garrafa quase vazia de vila velha na mão (argh), com a maior expressão de paz e contentamento que vocês podem imaginar. Uma calça social esfarrapada, cujo bolso parecia dez vezes maior que o normal e, acreditem se quiser, desse mesmo bolso, saía um saco de pão! (se estava com pão dentro ou não, prefiro nem saber!). Chinelo de dedo, camisa quase aberta de tudo e um boné sobre toda essa mistura incoerente.
Como se não bastasse a estranheza, o padre parou diante do desafortunado mendigo e, com toda a autoridade do destino, abriu a bíblia que carregava em baixo de seus suados braços, sendo vistoriado pelas carolas e por uma pequena multidão de olhares.

Pôs-se então a pregar, em negação ao demônio da bebida, num ritmo enlouquecido que somente um profeta conhece. Gostaria de poder transmitir toda a peculiaridade da cena. Pois, além de estar sendo praticamente exorcizado, o bêbado põe-se a cantarolar e rir, como uma criança enfadonha. Aparentemente desistindo de expurgar o capeta que ali residia, o santo padre tomou seu rumo, junto com sua confraria de carolas. O bêbado por sua vez, fez o que todo bêbado faz. Saiu dançando e berrando pelo formigueiro, mexendo com todas as mulheres que pudesse distinguir como tais.

Três figuras bem diferentes essas. Um político sorridente, um padre arrebatado e um bêbado alegre.
Sinceramente, o que mais me causa simpatia é o bêbado. Ora, ele está sendo apenas ele mesmo. Deixe a criança interior do pobre coitado brincar de Peter Pan alcolizado.
Quanto ao político. Não consigo reconhecer mais fervoroso tapado! Como ele sai distribuindo acenos por aí? É quase como uma puta (com o perdão da palavra) que sai exercendo a profissão de forma gratuita. Ignorando amigos e inimigos. Um verdadeiro zumbi social sem auto-estima ou personalidade.
E o padre... Bem. Alguém que sai de batina preta, com uma bíblia nos braços e um exército sacristão nas costas em plena Amando de Barros, lendo salmos a mil para um bêbado em plena garganta, não pode estar no auge de sua sanidade mental, não é?

Sinceramente... E tem gente que vai até as cidades vizinhas pra ver o zoológico!
Como diria minha “querida” professora de Literatura “isso daria uma crônica!”.
Ah, se daria...

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

O Valor da Hipocrisia




Nota-se um fenômeno estranho existente nas pessoas. Eu o chamaria de hipocrisia, mas não tenho vontade e nem mesmo o intuito de ofender ninguém com este post. Mas, como já está declarado que o considero como hipocrisia, está claro que já devo ter deixado pessoas bravas. Mas, não me importo, continuarei chamando-o assim, pois é assim que o vejo.


Falei o que acho que tal “aspecto” da personalidade grupal – pois isso acontece somente em grupos – das pessoas, mas ainda não disse qual é o dito cujo do fenômeno irritante.
É ele, e somente ele, aquele no qual as pessoas supervalorizam outras pessoas sem motivo. Ou então como elas, de forma estranhamente incoerente, passam a dá-las valor quando partem – e quando digo partir, não me atenho ao sentido fúnebre da palavra, mas no geral, sendo que as pessoas podem partir simplesmente indo embora do meio onde estão.

De certa forma, é estranho, para você, leitor, o motivo de eu estar escrevendo sobre isso – sempre supondo que você não conviva comigo todos os dias e, especialmente no dia de hoje quando, repetidamente, este fenômeno se pronunciou. O motivo eu prefiro não revelar, uma vez que pessoas poderiam ficar descontentes e, como sou um pacifista, não tenho essa intenção.
Vou expor duas situações a você:

Primeira Situação: Uma pessoa, a qual, evidentemente, parte do grupo detestava, outra parte simplesmente tinha nojo, outra simpatizava e a outra venerava. Imaginam tal pessoa? O.K. Ela se vai. Até aí tudo bem. É de se esperar que as pessoas que a detestasse ou tivesse nojo dela ficassem jubilosos com tal notícia, ou mesmo se mantivessem sem demonstrar sentimento. Mas não... As pessoas agem como se realmente estivessem chateadas!

Ora, por Deus! A quem querem enganar estes? Que máscara mais estúpida vestem, sem pudor ou vergonha nenhuma! É quase como se a Rússia ficasse alegre diante da ascensão dos Estados Unidos como potência mundial! Uma hipocrisia sem limites, é isso que eu digo. É isto que eu vejo. E o que eu vejo ruge por meus dedos!

Segunda Situação: Uma pessoa joga a outra fora. E a “jogada” age como se o “jogador” fosse a criatura mais perfeita que caminhasse por sobre duas patas. Estaremos ainda diante da incapacidade visual romântico-estúpida de não vermos com nossos próprios olhos a realidade nua e crua? Será que as pessoas não conseguem enxergar nada mais do que simplesmente querem ver?

Evoco novamente o uso da razão. Que tipo de coerência e amor-próprio tem essa pessoa? Qual será o grau de miopia dela? Como, depois de tal humilhação, pode se erguer em cima da imagem, esta criada por sua própria imaginação, de que tal pessoa que a humilhou é perfeita? Ora, onde nós estamos?


Enfim. Isso só serve para ressaltar minha visão de que as pessoas clamam pela própria auto-destruição e pelo próprio juízo final. É quase como se implorassem. É uma versão triste do comportamento das pessoas. Eu espero estar errado.
Espero sinceramente que esta seja uma exceção do comportamento humano, causado por insanidade temporária ou qualquer coisa do gênero!

Espero. Mas não acredito.
É demais pedir um pouco de coerência para as pessoas.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Quase nada...



Talvez falar de tudo e, conseqüentemente, de nada, seja a forma mais complicada de se escrever. E talvez seja a mais correta também.
Digo isso por que hoje me vieram à cabeça vários assuntos sobre os quais escrever. E todos eles rugiram ao mesmo tempo. (se não sabe o que eu quero dizer com “rugir”, leia o texto anterior.)
Mas não vou falar sobre tudo.
Apenas dois temas. Acho que, inicialmente, você não vai conseguir entender a relação entre eles. Até por que não há muita... Mas também há demais.
Espero que tenham assistido às aulas de história... e tenha uma boa imaginação. Lá vai.

Imaginem um cavaleiro medieval, vestindo sua melhor e mais pomposa armadura prateada. Encarapitado em seu cavalo branco e todas aquelas coisas mais. Poderia descrevê-lo agora... mas seria perda de tempo.
Pelo que um cavaleiro desses lutava? Por honra? Por sua pátria? É. É assim que vejo esse cavaleiro. Mas esqueçam a parte de lutar. Só imaginem essas duas coisas como seus pensamentos! Pensamentos de um herói medieval!

Medieval.
Faz tempo. Não? E acho que todos nós esperamos que tenhamos evoluído um pouquinho.




Vou começar pelo primeiro tema: honra.

“A honra é, objetivamente, a opinião dos outros acerca do nosso valor, e, subjetivamente, o nosso medo dessa opinião.” – Arthur Schopenhauer

“Quem me rouba a honra priva-me daquilo que não o enriquece e faz-me verdadeiramente pobre.” -
William Shakespeare

“O que é a honra ? Uma palavra. O que há nessa palavra honra ? Vento.” -
William Shakespeare


Um psicoterapeuta e filósofo e um escritor e poeta. São duas visões diferentes. Mas não muito.

Há pessoas que usam dessa palavra “honra” (vento, concordo eu) para tentar intimidar, subjugar, controlar e induzir as outras.
Já tem outras que nem sabem o que esta significa. Só leram em qualquer lugar e ficam profanando os ouvidos alheios com repetições mil dessa individua tão amada por aqueles de mente fraca e coração ignorante. Me pergunto se estes acham que “honra”, é uma palavra bonita e, então, para tentar fazer-se culto usa-a como um papel higiênico. Para limpar merda.

Mas não tenho a intenção de ser agressivo.

A questão é que... se evoluímos tanto depois do período medieval, onde matava-se por qualquer coisa, por que motivo/razão/circunstância devemos continuar a dar valor a uma palavra tão vazia? Sim, vazia!
Vejam bem... Não estou dizendo que devemos abdicar a nosso orgulho e nossos valores. Por que isso tudo não é honra! Honra é aquilo que pensam sobre o que você faz. É o ato de se importar com isso.

Honra é um ato. Não um valor. É um pensamento medieval. Não uma idéia racional.
Honra é um papel higiênico.

É o que eu acho. E o que eu acho é que me faz agir. Não o que os outros acham que eu deva pensar. Ao inferno com as convenções.



A seguir vou falar de outro valor medieval ainda adotado: patriotismo.


“O nacionalismo é uma doença infantil; é o sarampo da humanidade.” – Albert Einstein

“A honra nacional é uma espingarda carregada.” -
Émile-Auguste Chartier


Um cientista/filósofo e um poeta/filósofo.

Não é novidade que concordo com os dois também.
Simplesmente não consigo entender, ou sentir isso que chamam de patriotismo. Amar um pedaço de terra? Matar por uma porção de terra!?

Estava conversando hoje sobre isso com uma amiga. Ela discordou de mim. Disse que nacionalismo e amor à pátria não é reverência a um pedaço de terra, mas aos costumes do povo que vive neste pedaço de terra.

Ora, então, pensando nesse âmbito, por que então o amor é dividido entre estados nacionais e políticos? Por que o “nacionalismo” não é um sentimento global? Afinal, não somos todos parte do grande povo que é o mundo? Não somos cidadãos globais antes de ser nacionais?

Para mim, esta é apenas mais uma desculpa para o ser humano promover os mesmos absurdos inteligentemente injustificáveis.
Para mim, o patriotismo é um sistema operacional de política. Da mesma forma que o Windows é um sistema operacional de um computador.

Tanto tem fundamento o que digo que Hitler se aproveitou disso. Foi ele o maior patriota da história. Foi ele quem buscou um motivo para exterminar milhões. E onde encontrou este motivo? No amor medieval e parcialmente patético que o humano tem a render para uma porção de terra.
Isso não tem nada a ver com costumes. Se assim fosse, com a globalização, seriamos um só país. Uma só cultura.

Isso tem a ver é com o monstruoso ser humano. Que, como eu e você, tem a mania de se auto-destruir.






Um post revoltado, para um rugido em revolta.