O vício de escrever manteve-se inerte durante um tempo. Não que eu não esteja “rugindo” durante todo esse período, que mais parece uma eternidade, mas que tenho me inspirado para outras coisas... Coisas maiores, aliás, gigantescas, faraônicas, se me permitem a expressão. O que é, eu não vou contar – ainda – pra não acabar com a surpresa (se é que essa irá haver), mas é algo que está me fazendo bem.
O rugido voltou hoje, enquanto eu caminhava pela amando, aquele formigueiro abarrotado de pessoas, cuja maioria não está sempre tão limpa ou tão cheirosa como se possa desejar – e isso para ser eufêmico!
Pois bem, lá vamos nós. Estava eu numa loja comprando uma tela de pintura (para a minha mãe) e, de repente, saído das mais profundas trevas eleitorais, me surge o carro branco de um político. E lá estava o dono do carro, encarapitado no volante, cheio de pompa a passear pela rua abarrotada de gente, como se estivesse numa passeata ou algo do tipo.
O pior nem mesmo foi isso. O cúmulo do cômico foi quando ele olhou para dentro da loja e viu a mim! (E sei que só pode ter sido a mim, pois me certifiquei de que só eu olhava para o dito-cujo.) E, com toda a cara-de-pau de alguém que nunca me viu na frente, acenou para mim, como um papa acena a seu mais fervoroso fiel! E eu garanto, com todas as minhas forças, que minha expressão não tinha nada a ver com admiração.
O motivo dele ter suspeitado que eu o permitira tal coisa, a mim é completamente desconhecido. Fiquei tão horrorizado quanto poderia ficar com esse ato. De fato, tão estupefato a ponto de não conseguir desdenhar nem sequer uma careta ao vil!
Outra coisa: saindo da loja, caminhando pela rua (e, meu deus, quanta gente diferente junta), topei com um padre! E sei que era padre por que o santo estava de batina e tudo! Batina preta, de botão, até o pé, como se ignorasse completamente o calor e seu próprio rosto, mais banhado em suor que o de um trabalhador braçal!
Atrás dele vinha uma pequena, mas não ignorável, corja de carolas. Três, ao todo, olhando-o como um ser inumano! Um verdadeiro herói! Um argonauta nesses dias de satanismo! Mas a visão se tornaria ainda mais bizarra, pois, no meio do caminho, o padre cruzou com um bêbado!
E lá estava o pinguço, com uma garrafa quase vazia de vila velha na mão (argh), com a maior expressão de paz e contentamento que vocês podem imaginar. Uma calça social esfarrapada, cujo bolso parecia dez vezes maior que o normal e, acreditem se quiser, desse mesmo bolso, saía um saco de pão! (se estava com pão dentro ou não, prefiro nem saber!). Chinelo de dedo, camisa quase aberta de tudo e um boné sobre toda essa mistura incoerente.
Como se não bastasse a estranheza, o padre parou diante do desafortunado mendigo e, com toda a autoridade do destino, abriu a bíblia que carregava em baixo de seus suados braços, sendo vistoriado pelas carolas e por uma pequena multidão de olhares.
Pôs-se então a pregar, em negação ao demônio da bebida, num ritmo enlouquecido que somente um profeta conhece. Gostaria de poder transmitir toda a peculiaridade da cena. Pois, além de estar sendo praticamente exorcizado, o bêbado põe-se a cantarolar e rir, como uma criança enfadonha. Aparentemente desistindo de expurgar o capeta que ali residia, o santo padre tomou seu rumo, junto com sua confraria de carolas. O bêbado por sua vez, fez o que todo bêbado faz. Saiu dançando e berrando pelo formigueiro, mexendo com todas as mulheres que pudesse distinguir como tais.
O rugido voltou hoje, enquanto eu caminhava pela amando, aquele formigueiro abarrotado de pessoas, cuja maioria não está sempre tão limpa ou tão cheirosa como se possa desejar – e isso para ser eufêmico!
Pois bem, lá vamos nós. Estava eu numa loja comprando uma tela de pintura (para a minha mãe) e, de repente, saído das mais profundas trevas eleitorais, me surge o carro branco de um político. E lá estava o dono do carro, encarapitado no volante, cheio de pompa a passear pela rua abarrotada de gente, como se estivesse numa passeata ou algo do tipo.
O pior nem mesmo foi isso. O cúmulo do cômico foi quando ele olhou para dentro da loja e viu a mim! (E sei que só pode ter sido a mim, pois me certifiquei de que só eu olhava para o dito-cujo.) E, com toda a cara-de-pau de alguém que nunca me viu na frente, acenou para mim, como um papa acena a seu mais fervoroso fiel! E eu garanto, com todas as minhas forças, que minha expressão não tinha nada a ver com admiração.
O motivo dele ter suspeitado que eu o permitira tal coisa, a mim é completamente desconhecido. Fiquei tão horrorizado quanto poderia ficar com esse ato. De fato, tão estupefato a ponto de não conseguir desdenhar nem sequer uma careta ao vil!
Outra coisa: saindo da loja, caminhando pela rua (e, meu deus, quanta gente diferente junta), topei com um padre! E sei que era padre por que o santo estava de batina e tudo! Batina preta, de botão, até o pé, como se ignorasse completamente o calor e seu próprio rosto, mais banhado em suor que o de um trabalhador braçal!
Atrás dele vinha uma pequena, mas não ignorável, corja de carolas. Três, ao todo, olhando-o como um ser inumano! Um verdadeiro herói! Um argonauta nesses dias de satanismo! Mas a visão se tornaria ainda mais bizarra, pois, no meio do caminho, o padre cruzou com um bêbado!
E lá estava o pinguço, com uma garrafa quase vazia de vila velha na mão (argh), com a maior expressão de paz e contentamento que vocês podem imaginar. Uma calça social esfarrapada, cujo bolso parecia dez vezes maior que o normal e, acreditem se quiser, desse mesmo bolso, saía um saco de pão! (se estava com pão dentro ou não, prefiro nem saber!). Chinelo de dedo, camisa quase aberta de tudo e um boné sobre toda essa mistura incoerente.
Como se não bastasse a estranheza, o padre parou diante do desafortunado mendigo e, com toda a autoridade do destino, abriu a bíblia que carregava em baixo de seus suados braços, sendo vistoriado pelas carolas e por uma pequena multidão de olhares.
Pôs-se então a pregar, em negação ao demônio da bebida, num ritmo enlouquecido que somente um profeta conhece. Gostaria de poder transmitir toda a peculiaridade da cena. Pois, além de estar sendo praticamente exorcizado, o bêbado põe-se a cantarolar e rir, como uma criança enfadonha. Aparentemente desistindo de expurgar o capeta que ali residia, o santo padre tomou seu rumo, junto com sua confraria de carolas. O bêbado por sua vez, fez o que todo bêbado faz. Saiu dançando e berrando pelo formigueiro, mexendo com todas as mulheres que pudesse distinguir como tais.
Três figuras bem diferentes essas. Um político sorridente, um padre arrebatado e um bêbado alegre.
Sinceramente, o que mais me causa simpatia é o bêbado. Ora, ele está sendo apenas ele mesmo. Deixe a criança interior do pobre coitado brincar de Peter Pan alcolizado.
Quanto ao político. Não consigo reconhecer mais fervoroso tapado! Como ele sai distribuindo acenos por aí? É quase como uma puta (com o perdão da palavra) que sai exercendo a profissão de forma gratuita. Ignorando amigos e inimigos. Um verdadeiro zumbi social sem auto-estima ou personalidade.
E o padre... Bem. Alguém que sai de batina preta, com uma bíblia nos braços e um exército sacristão nas costas em plena Amando de Barros, lendo salmos a mil para um bêbado em plena garganta, não pode estar no auge de sua sanidade mental, não é?
Sinceramente... E tem gente que vai até as cidades vizinhas pra ver o zoológico!
Como diria minha “querida” professora de Literatura “isso daria uma crônica!”.
Ah, se daria...
Sinceramente, o que mais me causa simpatia é o bêbado. Ora, ele está sendo apenas ele mesmo. Deixe a criança interior do pobre coitado brincar de Peter Pan alcolizado.
Quanto ao político. Não consigo reconhecer mais fervoroso tapado! Como ele sai distribuindo acenos por aí? É quase como uma puta (com o perdão da palavra) que sai exercendo a profissão de forma gratuita. Ignorando amigos e inimigos. Um verdadeiro zumbi social sem auto-estima ou personalidade.
E o padre... Bem. Alguém que sai de batina preta, com uma bíblia nos braços e um exército sacristão nas costas em plena Amando de Barros, lendo salmos a mil para um bêbado em plena garganta, não pode estar no auge de sua sanidade mental, não é?
Sinceramente... E tem gente que vai até as cidades vizinhas pra ver o zoológico!
Como diria minha “querida” professora de Literatura “isso daria uma crônica!”.
Ah, se daria...
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