Rugido. É uma expressão estranha. Mas eu não consigo pensar numa melhor. Então, suponho que seja essa a expressão certa.
É como se houvesse um grande leão adormecido dentro de mim – ou talvez seja um pedaço de mim. Enquanto ele dorme estou sempre andando pela linha do que eu gosto de chamar de “vontade medíocre”. Mas acho que você não está entendendo nada. Vou tentar explicar. Se puder...
Enquanto o Grande Leão dorme, sou guiado por vontades compreensíveis, plausíveis e racionais. Porém, vez por outra, ele levanta sua enorme cabeça dourada e abre seus olhos – e estes parecem imensos! Quando ele faz isso, uma nova coisa explode dentro de mim.
Acontece quando eu escrevo exatamente isso.
Stephen King, em sua coleção “A Torre Negra”, traz à tona sua opinião de que não é o escritor aquele que produz a história. Ele é só aquele que a materializa. A história flui por ele, como se fosse um rio, ele só está no meio do rio, sentindo a correnteza e tentando descrevê-la.
Acho que ele está certo.
No meu caso, existe esse Grande Leão – talvez essa imagem de leão seja uma influencia de um livro que li, no qual o leão era o personagem mais fascinante e complexo que se pode imaginar.
Quando ele ruge, eu simplesmente não posso deixar de ouvir. Não posso deixar de obedecer. É quando o rio corre com mais força. Tanta força que, durante um tempo, me carrega com ele.
O por quê de eu estar escrevendo esse monte de... parecem sandices, não é mesmo? Bom, mas não são. E, se forem, são as sandices mais reais que eu já escrevi.
Estou escrevendo por que sinto que preciso escrever sobre isso. Por que sei que preciso escrever. Esta é a vontade dele; do leão.
Talvez minha imaginação tenha criado esse personagem para simplesmente explicar meus ímpetos de vontade, inspiração, raiva, felicidade e todas as outras emoções extremas que eu conheça. Mas, se ela criou... não acho ruim. Até gosto da idéia. É perigosa.
Sabe... em todas as melhores histórias de ficção que eu li, o mundo-fantasia fora criado através de uma música. O mundo de Tolkien e C.S Lewis, em principal, eu acho (e acho isso por que, talvez, sejam os que mais me influenciaram).
Acho que o lugar onde esse leão mora, foi criado através de uma música também. Mas não posso dizer qual. Eu não sei qual é. Mas, bom... Quando ele ruge, não faz diferença onde é ou deixa de ser.
O rugido é a única coisa que significa. Por que ele me faz seguir adiante e, acima de tudo... ele forma o que eu sou. Talvez, então, eu possa dizer que meu espírito é filho de um leão, quem sabe... E este é um pensamento agridoce. Empolgante.
Neste momento, os olhos do leão – azuis como devem ser – se fixam a tudo. Escancarados como dois poços profundos, cuja força parece esmagar tudo aquilo que cruza com eles.
Suas patas – afundadas no chão, com o que parece ser o peso de um filhote de elefante – se ficam na terra, parecendo feri-la quase tão facilmente quanto se rasga um papel.
Ele é enorme. E em sua juba traz luz suficiente para tapar o sol.
Ele está pronto. E acordado.
Atenção... ele logo vai atacar.
Um comentário:
És exatamente aquilo que descreves, porém, não descreves a ti mesmo por inteiro.
Sabes o que quero dizer-lhe?
O leão dentro de ti esconde dentro de seu enorme coração um grande amor.
Esse amor por hora o machuca criando uma dor aguda, estressante e assim,o leão entra em fúria, não só o amor, mas sei que o que perturba-o são as coisas que ele mais parece desprezar.
A dor dele apenas é aliviada para que ele durma em paz, quando tudo dorme e por um momento não sente amor nem dor, ou quando sente até mesmo uma pontinha de alegria.
O leão quando solto torna-se medo para os que não o conhecem, mas torna-se divertido e polêmico para aqueles que fecham os olhos e conseguem enchergá-lo!
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